Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

O sopro de Lucifer

O sopro de Lucifer
 
 

O cenário foi montado.

Nele foste actriz principal.

Representaste pelas tuas qualidades o papel na perfeição

dividida

entre um sentimento confortavel que embala as horas mais belas

e os incomodativos avisos da realidade

Realidade?

o q é a realidade?

Naqueles momentos a realidade era a beleza q tudo impregnava

à excepção do conhecimento

de alguem a sofrer por detrás do cenário.

 

Mas,

 

Aqueles por detrás do cenário

estiveram muito tempo às escuras.

e

só no momento em que o actor escorrega

se abre um rasgão no cenário iluminando as traseiras.

 

Atrás do cenário

uma face descorada pelo escorrer das lágrimas

desfalece.

 

Então,

 

Lucifer sopra-lhe ao ouvido

e aquela que estava lívida de um pulo se levanta

agora vermelha de ódio

 

Ela sofre e não suporta a dor

Odeia para transferir a sua dor.

 

A dor é profunda

O ódio enlouquece-a

pensar em transferir a dor

é insuficiente

 

Impõe-se

 

Provocar a dor no outro

toma a minha dor....

está aí na auto-estrada

apanha-a e sofre.

É apanhada,

a pequena culpa passa a ser grande

a dor domina mais um ser

 

No entanto,

 

A dor transferida não desaparece,

mantém-se na que enviou

vive já na que a apanhou.

Cresceu para se multiplicar.

 

Agora,

 

Com o cenário partido e queimado

chora-se o horror dos momentos belos

O ódio desvanece-se

em quem ouviu Lúcifer.

 

Segue na auto-estrada

amor em vez de ódio,

não vale a pena sofrer sobre os restos do cenário

resta apenas amar

para que outros cenários não se repitam.

 

Cláudia Baptista

publicado por jardineiro às 01:51
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