" O que fôr, quando fôr é que será o que é"
Fernando Pessoa
O cenário foi montado.
Nele foste actriz principal.
Representaste pelas tuas qualidades o papel na perfeição
dividida
entre um sentimento confortavel que embala as horas mais belas
e os incomodativos avisos da realidade
Realidade?
o q é a realidade?
Naqueles momentos a realidade era a beleza q tudo impregnava
à excepção do conhecimento
de alguem a sofrer por detrás do cenário.
Mas,
Aqueles por detrás do cenário
estiveram muito tempo às escuras.
e
só no momento em que o actor escorrega
se abre um rasgão no cenário iluminando as traseiras.
Atrás do cenário
uma face descorada pelo escorrer das lágrimas
desfalece.
Então,
Lucifer sopra-lhe ao ouvido
e aquela que estava lívida de um pulo se levanta
agora vermelha de ódio
Ela sofre e não suporta a dor
Odeia para transferir a sua dor.
A dor é profunda
O ódio enlouquece-a
pensar em transferir a dor
é insuficiente
Impõe-se
Provocar a dor no outro
toma a minha dor....
está aí na auto-estrada
apanha-a e sofre.
É apanhada,
a pequena culpa passa a ser grande
a dor domina mais um ser
No entanto,
A dor transferida não desaparece,
mantém-se na que enviou
vive já na que a apanhou.
Cresceu para se multiplicar.
Agora,
Com o cenário partido e queimado
chora-se o horror dos momentos belos
O ódio desvanece-se
em quem ouviu Lúcifer.
Segue na auto-estrada
amor em vez de ódio,
não vale a pena sofrer sobre os restos do cenário
resta apenas amar
para que outros cenários não se repitam.
Cláudia Baptista
. agora